01/01/2023

1964 "Baladas e Canções"

 


CANÇÃO LONGE

Ó meu bem, se tu te fores
Ó meu bem, se tu te fores
Como dizem que te vais
Como dizem que te vais

Deixa-me o teu nome escrito
Deixa-me o teu nome escrito
Numa pedrinha do cais
Numa pedrinha do cais

Quando o mê mano se foi
Quando o mê mano se foi
Sete lenços alaguei
Sete lenços alaguei

Mai la manga da camisa
Mai la manga da camisa
E dizem que não chorei
E dizem que não chorei

Meu amor vem sobre as ondas
Meu amor vem sobre as ondas
Meu amor vem sobre o mar
Meu amor vem sobre o mar

Ai quem me dera morrer
Ai quem me dera morrer
Nas águas do teu olhar
Nas águas do teu olhar

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OS BRAVOS

Eu fui à terra do bravo
Bravo meu bem
Para ver se embravecia
Cada vez fiquei mais manso
Bravo meu bem
Para a tua companhia

Eu fui à terra do bravo
Bravo meu bem
Com o meu vestido vermelho
O que eu vi de lá mais bravo
Bravo meu bem
Foi um mansinho coelho

As ondas do mar são brancas
Bravo meu bem
E no meio amarelas
Coitadinho de quem nasce
Bravo meu bem
P'ra morrer no meio delas

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BALADA ALEIXO

Quem canta por conta sua
Canta sempre com razão
Mais vale ser pardal na rua
Que rouxinhol na prisão

Adeus que me vou embora
Adeus que me quero ir
Deita cá esses teus olhos
Que me quero despedir

Com os cegos me confundo
Amor desde que te vi
Nada mais vejo no mundo
Quando não te vejo a ti

Adeus que me vou embora
Adeus que me quero ir
Deita cá esses teus olhos
Que me quero despedir

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TROVAS ANTIGAS

O que mais me prende à vida

Não é amor de ninguém

É que a morte de esquecida

Deixa o mal e leva o bem

 

Quem se vai casar ao longe

Ao perto tendo com quem

Alva flor da laranjeira

Não a dará a ninguém

 

Olha a triste viuvinha

Que anda na roca a fiar

É bem feito, é bem feito

Que não tem com quem casar

 

No cimo daquela serra

Está um lenço de mil cores

Está dizendo viva, viva

Morra quem não tem amores

 

O que mais me prende à vida

Não é amor de ninguém

É que a morte de esquecida

Deixa o mal e leva o bem

 

Olha a triste viuvinha

Que anda na roca a fiar

É bem feito, é bem feito

Que não tem com quem casar

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NA FONTE ESTÁ LIANOR

Na Fonte está Lianor
Lavando a talha e chorando
Lavando a talha e chorando
Lavando a talha e chorando

Às amigas perguntando
Vistes lá o meu amor
Vistes lá o meu amor
Vistes lá o meu amor

Nisto estava Lianor
O seu desejo enganando
O seu desejo enganando
O seu desejo enganando

Às amigas perguntando
Vistes lá o meu amor
Vistes lá o meu amor
Vistes lá o meu amor

O rosto sobre uma mão
Os olhos no chão pregados
Os olhos no chão pregados
Os olhos no chão pregados

Que de chorar já cansados
Algum descanso lhe dão
Algum descanso lhe dão
Algum descanso lhe dão

Na Fonte Está Lianor
Lavando a talha e chorando
Lavando a talha e chorando
Lavando a talha e chorando

Às amigas perguntando
Vistes lá o meu amor
Vistes lá o meu amor
Vistes lá o meu amor

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MINHA MÃE

Ó minha mãe, minha mãe
Ó minha mãe, minha amada
Quem tem uma mãe tem tudo
Quem não tem mãe não tem nada
Quem não tem mãe não tem nada
Quem a perde é pobrezinho

Ó minha mãe, minha mãe
Ónde estás que estou sozinho
Estou sozinho no mar largo
Sem medo à noite cerrada
Ó minha mãe, minha mãe
Ó minha mãe, minha amada

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ALTOS CASTELOS

Altos castelos de branco luar
Linda menina que vai casar
Torres cinzentas que dao para o vento
Dentro do meu pensamento
Eu lá na serra nao sou ninguém
Se fores prà guerra eu irei também
Irei também numa barca bela
Cinta vermelha e saia amarela
Na praia nova caiu uma estrela
Moças trigueiras ide atrás dela
Rola rolinha garganta de prata
Canta-me uma serenata
Eu lá na serra nao sou ninguém
Se fores prà guerra eu irei também

Irei também numa barca bela
Cinta vermelha e saia amarela
Um cavalinho de crina na ponta
Leva à garupa uma bruxa tonta
Duas meninas a viram passar
Mesmo à beirinha do mar
Eu lá na serra nao sou ninguém
Se fores prà guerra eu irei também
Irei também numa barca bela
Cinta vermelha e saia amarela

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O PASTOR DE BENSAFRIM

Ó ventos do monte
Ó brisas do mar
A história que vou contar
Dum pastor Florival
Meu irmão de Bensafrim
Natural rezava assim

Passava ele os dias
No seu labutar
E os anos do seu folgar
Serras vai serras vem
Seu cantar não tinha fim
O pastor cantava assim

Ó montes erguidos
Ó prados do mar em flor
Ó bosques antigos
Trajados de negra cor
Voa andorinha
Voa minha irmã
Não te vás embora
Vem volta amanhã
Dizei amigos
Dizei só a mim
Todos só de um lado
Quem vos pôs assim

Dizei-me mil prados
Campinas dizei
A história que não contei
Serras vai serras vem
O seu mal não tinha fim
O pastor cantava assim

Ó montes erguidos
Ó prados do mar em flor
Ó bosques antigos
Trajados de negra cor
Voa andorinha
Voa minha irmã
Não te vás embora

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ELEGIA

O vento desfolha a tarde

O vento desfolha a tarde

Como a dor desfolha o peito

Como a dor desfoha o peito.

 

Na roseira do meu peito

Na roseira do meu peito

Senhora meu bem fermosa

Senhora meu bem fermosa.

 

Vai-se a tarde ficam penas

Vai-se a tarde ficam penas

Na roseira do meu peito

Na roseira do meu peito.

 

Senhora por quem eu morro

Senhora por quem eu morro

Senhora meu bem fermosa

Senhora meu bem fermosa.

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RONDA DOS PAISANOS

Ao cair da madrugada
No quartel da guarda
Senhor general
Mande embora a sentinela
Mande embora e nao lhe faça mal
Ao cair do nevoeiro
Senhor brigadeiro
Nao seja papao
Mande embora a sentinela
Mande embora a sua posiçao
Ao cair do céu cinzento
Lá no regimento
Senhor coronel
Mande embora a sentinela
Mande embora e deixe o seu quartel
Ao cair da madrugada
Depois da noitada
Senhor capitao
Mande embora a sentinela
Mande embora o seu guarda-portao
Ao cair do sol nascente

Venha meu tenente
Deixe a prevençao
Mande embora a sentinela
Mande embora e tire o seu galao
Ao cair do frio vento
Primeiro sargento
Junte o pelotao
Mande embora a sentinela
Mande embora e cale o seu canhao
Ao cair do sol doirado
Venha meu soldado
Largue o seu punhal
Vá-se embora sentinela
Vá-se embora que aí fica mal
Vá-se embora sentinela
Vá-se embora que aí fica mal