CANÇÃO LONGE
Ó meu bem, se tu te fores
Ó meu bem, se tu te fores
Como dizem que te vais
Como dizem que te vais
Deixa-me o teu nome escrito
Deixa-me o teu nome escrito
Numa pedrinha do cais
Numa pedrinha do cais
Quando o mê mano se foi
Quando o mê mano se foi
Sete lenços alaguei
Sete lenços alaguei
Mai la manga da camisa
Mai la manga da camisa
E dizem que não chorei
E dizem que não chorei
Meu amor vem sobre as ondas
Meu amor vem sobre as ondas
Meu amor vem sobre o mar
Meu amor vem sobre o mar
Ai quem me dera morrer
Ai quem me dera morrer
Nas águas do teu olhar
Nas águas do teu olhar
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OS BRAVOS
Eu fui à terra do bravo
Bravo meu bem
Para ver se embravecia
Cada vez fiquei mais manso
Bravo meu bem
Para a tua companhia
Eu
fui à terra do bravo
Bravo meu bem
Com o meu vestido vermelho
O que eu vi de lá mais bravo
Bravo meu bem
Foi um mansinho coelho
As
ondas do mar são brancas
Bravo meu bem
E no meio amarelas
Coitadinho de quem nasce
Bravo meu bem
P'ra morrer no meio delas
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BALADA ALEIXO
Quem canta por conta sua
Canta sempre com razão
Mais vale ser pardal na rua
Que rouxinhol na prisão
Adeus que me vou embora
Adeus que me quero ir
Deita cá esses teus olhos
Que me quero despedir
Com os cegos me confundo
Amor desde que te vi
Nada mais vejo no mundo
Quando não te vejo a ti
Adeus que me vou embora
Adeus que me quero ir
Deita cá esses teus olhos
Que me quero despedir
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TROVAS ANTIGAS
O que mais me prende à vida
Não é amor de ninguém
É que a morte de esquecida
Deixa o mal e leva o bem
Quem se vai casar ao longe
Ao perto tendo com quem
Alva flor da laranjeira
Não a dará a ninguém
Olha a triste viuvinha
Que anda na roca a fiar
É bem feito, é bem feito
Que não tem com quem casar
No cimo daquela serra
Está um lenço de mil cores
Está dizendo viva, viva
Morra quem não tem amores
O que mais me prende à vida
Não é amor de ninguém
É que a morte de esquecida
Deixa o mal e leva o bem
Olha a triste viuvinha
Que anda na roca a fiar
É bem feito, é bem feito
Que não tem com quem casar
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NA FONTE ESTÁ LIANOR
Na Fonte está Lianor
Lavando a talha e chorando
Lavando a talha e chorando
Lavando a talha e chorando
Às amigas perguntando
Vistes lá o meu amor
Vistes lá o meu amor
Vistes lá o meu amor
Nisto estava Lianor
O seu desejo enganando
O seu desejo enganando
O seu desejo enganando
Às amigas perguntando
Vistes lá o meu amor
Vistes lá o meu amor
Vistes lá o meu amor
O rosto sobre uma mão
Os olhos no chão pregados
Os olhos no chão pregados
Os olhos no chão pregados
Que de chorar já cansados
Algum descanso lhe dão
Algum descanso lhe dão
Algum descanso lhe dão
Na Fonte Está Lianor
Lavando a talha e chorando
Lavando a talha e chorando
Lavando a talha e chorando
Às amigas perguntando
Vistes lá o meu amor
Vistes lá o meu amor
Vistes lá o meu amor
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MINHA MÃE
Ó minha mãe, minha mãe
Ó minha mãe, minha amada
Quem tem uma mãe tem tudo
Quem não tem mãe não tem nada
Quem não tem mãe não tem nada
Quem a perde é pobrezinho
Ó minha mãe, minha mãe
Ónde estás que estou sozinho
Estou sozinho no mar largo
Sem medo à noite cerrada
Ó minha mãe, minha mãe
Ó minha mãe, minha amada
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ALTOS CASTELOS
Altos castelos de branco luar
Linda menina que vai casar
Torres cinzentas que dao para o vento
Dentro do meu pensamento
Eu lá na serra nao sou ninguém
Se fores prà guerra eu irei também
Irei também numa barca bela
Cinta vermelha e saia amarela
Na praia nova caiu uma estrela
Moças trigueiras ide atrás dela
Rola rolinha garganta de prata
Canta-me uma serenata
Eu lá na serra nao sou ninguém
Se fores prà guerra eu irei também
Irei também numa barca bela
Cinta vermelha e saia amarela
Um cavalinho de crina na ponta
Leva à garupa uma bruxa tonta
Duas meninas a viram passar
Mesmo à beirinha do mar
Eu lá na serra nao sou ninguém
Se fores prà guerra eu irei também
Irei também numa barca bela
Cinta vermelha e saia amarela
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O PASTOR DE BENSAFRIM
Ó ventos do monte
Ó brisas do mar
A história que vou contar
Dum pastor Florival
Meu irmão de Bensafrim
Natural rezava assim
Passava ele os dias
No seu labutar
E os anos do seu folgar
Serras vai serras vem
Seu cantar não tinha fim
O pastor cantava assim
Ó montes erguidos
Ó prados do mar em flor
Ó bosques antigos
Trajados de negra cor
Voa andorinha
Voa minha irmã
Não te vás embora
Vem volta amanhã
Dizei amigos
Dizei só a mim
Todos só de um lado
Quem vos pôs assim
Dizei-me mil prados
Campinas dizei
A história que não contei
Serras vai serras vem
O seu mal não tinha fim
O pastor cantava assim
Ó montes erguidos
Ó prados do mar em flor
Ó bosques antigos
Trajados de negra cor
Voa andorinha
Voa minha irmã
Não te vás embora
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ELEGIA
O vento desfolha a tarde
O vento desfolha a tarde
Como a dor desfolha o peito
Como a dor desfoha o peito.
Na roseira do meu peito
Na roseira do meu peito
Senhora meu bem fermosa
Senhora meu bem fermosa.
Vai-se a tarde ficam penas
Vai-se a tarde ficam penas
Na roseira do meu peito
Na roseira do meu peito.
Senhora por quem eu morro
Senhora por quem eu morro
Senhora meu bem fermosa
Senhora meu bem fermosa.
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RONDA DOS PAISANOS
Ao cair da madrugadaNo quartel da guarda
Senhor general
Mande embora a sentinela
Mande embora e nao lhe faça mal
Ao cair do nevoeiro
Senhor brigadeiro
Nao seja papao
Mande embora a sentinela
Mande embora a sua posiçao
Ao cair do céu cinzento
Lá no regimento
Senhor coronel
Mande embora a sentinela
Mande embora e deixe o seu quartel
Ao cair da madrugada
Depois da noitada
Senhor capitao
Mande embora a sentinela
Mande embora o seu guarda-portao
Ao cair do sol nascente
Venha meu tenente
Deixe a prevençao
Mande embora a sentinela
Mande embora e tire o seu galao
Ao cair do frio vento
Primeiro sargento
Junte o pelotao
Mande embora a sentinela
Mande embora e cale o seu canhao
Ao cair do sol doirado
Venha meu soldado
Largue o seu punhal
Vá-se embora sentinela
Vá-se embora que aí fica mal
Vá-se embora sentinela
Vá-se embora que aí fica mal