Interpretação: José Afonso "Fura, Fura" (LP) (979) Autor: José Afonso
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As sete mulheres do Minho mulheres de grande valor Armadas de fuso e roca correram com o regedor Essa mulher lá do Minho que da foice fez espada há-de ter na lusa história uma página doirada Viva a Maria da Fonte com as pistolas na mão para matar os Cabrais que são falsos à Nação
Interpretação: José Afonso "Enquanto Há Força" (LP) (1978) Autor: José Afonso *********************
Pregais o Cristo de Braga
Fazeis a guerra na rua Sempre virados prò céu Sempre virados prà Virgem A Santa Cruzada manda Matar o chivo vermelho Contra a foice e o martelo Contra a alfabetizaçao Curai de ganhar agora Os vossos novos clientes Além do pide e do bufo Amigos do usurário Além do latifundiário Amigo do Capelao "Abre Nuncio Vade Retro Querem vender a naçao" "A medicina é ateia Nao cuida da salvaçao" Que o diga o facultativo Que o diga ocirurgiao Que o digam as criancinhas "Rezas sim, parteiras nao" Se o Pinochet concordasse Já em Fátima haveria Mais de trinta mil vermelhos A arder de noite e de dia Caridade, a quanto obrigas Só trinta mil voluntários "Cristo reina Cristo vinga" Nos vossos santos ovários E também nos lampadários E também nos trintanários Abre Nuncio Vade Retro Querem vender a naçao O Carnaval da capela O liturgia do altar Já lá vem Camilo Torres Com o seu fusil a sangrar Igreja dos privilégios Mataste o Cristo a galope Também Franco, o assassino Mandou benzer o garrote
Interpretação: José Afonso "Como se Fora Seu Filho" (LP) (1983) Autor: José Afonso *********************
Altos altentes
carapinos carapentes Dá-lhe uma risada E caem-lhe os dentes Igrejinha pequenina Sacristão revolvedor A gente que nela mora Toda veste duma cor Carvalheira tem cem canos Cada cano tem cem ninhos Cada ninho tem cem ovos Quantos são os passarinhos
Interpretação: José Afonso "Enquanto Há Força" (LP) (1978) Autor: José Afonso *********************
Ali está o rio
Dois homens na margem estao Se um dá um passo o outro hesita Será um valente? O outro nao? Bom negócio faz um deles Tem o triunfo na mao Do outro lado do rio Só um come o fruto, o outra nao Ao outro passo o p'rigo Novos castigos virao Se ambos venceram o rio Só um tubo ganha o outro nao Na margem já conquistada
Só um venceu a valer Perdeu o outro a saúde Mas nada ganhou pra viver Quem diz "nós" saiba ver bem Se diz a verdade ou nao Ambos vencemos o rio A mim quem me vence é o patrao
Interpretação: José Afonso "José Afonso in Hamburg" (LP) (1976) Autor: José Afonso *********************
Em Janeiro bebo o vinho
Em Fevereiro como o pão Nem que chovam picaretas Hás-de cair, Rei-Milhão Adeus, cidade do Porto Adeus muros de Custóias Cantando à chuva e ao vento Andei a enganar as horas Tenho mais de mil amigos Aqui não me sinto só Cantarei ao desafio Ninguém tenha de mim dó Ó meu Portugal formoso Berço de latifundiários Onde um primeiro ministro Já manda a merda os operários Já hoje muito maroto Se diz revolucionário E faz da bolsa do povo Cofre-forte do bancário Camaradas lá do Norte Venham ao Sul passear Cá nas nossas cooperativas Há sempre mais um lugar
Adeus, estrela brilante compañeiriña da lua moitas caras teño visto mais como a tua ningunha Adeus lubeiriña triste de espaldas te vou mirando non sei que me queda dentro que me despido chorando
Interpretação: José Afonso "Como se Fora Seu Filho" (LP) (1983) Autor: José Afonso *********************
Vai-se a vida e vem a morte
O mal que a todos domina Reina o comércio da china Às cavalitas da sorte Dinheiro seja louvado A cruz de cristo nas velas Soprou o diabo nelas Deu à costa um afogado A guerra é coisa ligeira Tudo vem do mal de ofício Não pode haver desperdício Nesta vida de canseira Demanda o porto corsário No caminho faz aguada Ali findou seu fadário Morreu de morte matada A nau de antónio faria Leva no bojo escondida A cabeça de um corsário Que lhes quis tirar a vida Aljofre pérola rama Eis os pecados do mundo Assim vai a nau ao fundo Sem arte a honra e a fama Entre cristãos e gentios Em gritos e altos brados Para ganhar uns cruzados Lançam-se mil desafios Em vindo de veniaga Com a vela solta ao vento Um mouro é posto a tormento Por não dizer quem lhe paga Vou-me à costa à outra banda Já vejo o rio amarelo Foi no tempo do farelo Agora é o rei quem manda Faz-te à vela marinheiro Rumo ao reino de sião Antes do fim de janeiro Hás-de ser meu capitão .
"Enquanto Há Força" (LP) (1978)
Autor: José Afonso *****************************
Ainda bem que é verdade
Ainda bem que é mentira A acupunctura em Odemira Ainda bem que há quem viva Em Odeceixe E se peide à vontade Na Rua Espinha de Peixe Eu bem sei a Cergal a Super Bock A volta ao mundo pelo Cabo de S. Roque Em Abril àguas mil Ponto final Ainda bem que é para breve O festival Ainda bem que amanha É a ciclorama E o campeonato do mundo no primeiro programa Ainda bem que apostei no totobola Todos os dias sao santos, Dona Aurora