01/02/2020

BALADA DO MONDEGO


Interpretação: José Afonso
"Ao Vivo no Coliseu" (LP) (1983)
Autor: Artur Paredes
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BARRACAS OCUPAÇÃO


Interpretação: José Afonso
"Enquanto Há Força" (LP) (1978)
Autor: José Afonso
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Lá vêm subindo o abismo
Da sombra donde vieram
Já sem medo e sem vergonha
Virados prá luz do dia
Será esta a nossa porta?
Perguntavam um pouco inquietos
Por terem pla vez primeira
Quatro paredes e um tecto
Por certo ninguém lhes disse
Que são os heróis de agora
Maiores que Alexandre Magno
Numa batalha perfeita
Sem perguntar ao Estado
Qual o caminho a tomar
Correm risco correm penas
Quem sabe onde vão parar
Correm risco correm penas
Quem sabe onde vão parar
Lá vêm os nossos soldados
Esses, sim, sabemos quem são
Os nossos filhos, os nossos irmãos
Os nossos pais, diz a criança
Não tenhamos medo
Pois ninguém melhor
Poderá resolver
Esta luta
A favor de quem?
Ao lado de quem?
A favor de quem?
Ao lado de quem?
A favor de quem?
Ao lado de quem?
Vamos, coragem, chegou o momento
De preparar os nossos argumentos
Não tenhamos medo
São nossos amigos
Não tenhamos medo
São nossos amigos
São os nossos filhos,
Os nossos irmãos
Os nossos pais, diz a criança
Já estão a dobrar a rua
Lá vêm eles
Já estão a dobrar a rua
Lá vêm eles
Não tenhamos medo
Pois ninguém melhor
Poderá resolver
Esta luta
Maravilha maravilha
Venham ver o barco doido
Sem amarras que o segurem
Pela porta entra a maré
Venham ver a barco doido
Água cai pela chaminé
Venham ver a barco doido
Água cai pela chaminé
Maravilha maravilha
Já vejo os móveis dançar
Entra a água pela porta
O telhado vai tombar
Quando o mar se enfurece
Andamos em rodopio
Sobre caminhos de prata
Correm lágrimas a fio

CANARINHO

Interpretação: José Afonso
"Como se Fora Seu Filho" (LP) (1983)
Autor: José Afonso
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O canarinho cai
No cantarinho ai
Do canarinho
O cantarinho cai
Na canarinho ai
Do canarinho
O alarido sai
Do arruído ai
Do alarido
O arruído sai
Do alarido ai
Do arruído
O vagabundo vai
A cada mundo ai
Do vagabundo
A cada mundo vai
O vagabundo ai
Do cada mundo
O cavalinho vai
De vagarinho ai
Do cavalinho
O vagarinho vai
De cavalinho ai
Do vagarinho

CANÇÃO DA PACIÊNCIA


Interpretação: José Afonso
"Como se Fora Seu Filho" (LP) (1983)
Autor: José Afonso
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Muitos sóis e luas irão nascer
Mais ondas na praia rebentar
Já não tem sentido ter ou não ter
Vivo com o meu ódio a mendigar
Tenho muitos anos para sofrer
Mais do que uma vida para andar
Beba o fel amargo até morrer
Já não tenho pena sei esperar
A cobiça é fraca melhor dizer
A vida não presta para sonhar
Minha luz dos olhos que eu vi nascer
Num dia tão breve a clarear
As àguas do rio são de correr
Cada vez mais perto sem parar
Sou como o morcego vejo sem ver
Sou como o sossego sei esperar